Segundo
importantes jornalistas brasileiros, o Brasil não é para amadores, e
sim para profissionais. Se for verdade, difícil também é tentar
compreender como essa geringonça funciona e mais difícil ainda é quando
entendemos e não aceitamos tudo isso que nos é imposto. Por exemplo, na
confusa Brasília existe oposição? Existe situação? Existe alguma
instituição que coloca a qualidade de vida dos brasileiros como
principal objetivo? O que temos é o surrupiamento da população em que os
“políticos” se mostram com tanta educação para desfilar terceiras
intenções e todo o empenho para manter essa “droga que já vem malhada
antes de termos nascido”, como disse Cazuza. Existe honestidade,
respeito e amor pelo povo? O que existe de verdade? Como esse país se
move? Só temos gênios governando o Brasil!
É chocante como
conseguem colocar o País nos primeiros lugares dos piores índices de
tudo. No Brasil, hoje, temos 60 mil assassinatos por ano. Mais mortes do
que toda guerra do Vietnã. Em relação ao saneamento básico, ocupamos os
piores índices do planeta ao lado de países da África. E a lista não
para. “Nas favelas, no Senado, a sujeira é para todo lado. Ninguém
respeita a constituição”, como disse Renato Russo. Mas todo mundo
acredita no futuro da nação. Não adianta só rezar e não fazer a sua
parte. Não temos País. Não existe nação dentro do Brasil. Não existe
unicidade de um povo em que as fronteiras de seu País sejam demarcadas
pelo seu coração e sua disposição de defender sua pátria com a própria
vida.
Concordamos com qualquer coisa que venha seja lá de onde em
nome de não sabermos quem. O dia em que uma quadrilha qualquer – ah,
desculpem – um partido qualquer invadir sua residência, roubar e depois
de você reclamar te baterem e te prenderem; aí, quem sabe, você acorde e
resolva defender seu país com unhas e dentes com suas próprias mãos. É
para isso que estamos caminhando. Nosso País, há séculos, caminha para
uma rota de colisão. Tudo indica que estamos nos aproximando deste dia. O
que mais é preciso acontecer? Parece que estamos num estado de letargia
e continuamos cegamente acreditando no futuro da nação. Nosso País já
está praticamente no osso. E a omissão continua.
Deveríamos ser um
povo unido dentro de um mesmo ideal. E o que estamos sendo é um mosaico
com milhões de peças independentes que não se entendem. Estamos
construindo um hospício como legado para as próximas gerações que serão
nossos filhos. “Bastava que fôssemos sinceros e desejar profundo para
que fôssemos capazes de sacudir o mundo. Temos uma porção de coisas
grandes para conquistar e não podemos ficar aí parados.”
Se
pudéssemos comparar nosso País com o trem das sete, o qual inspira quem
vai chorar ou quem vai sorrir ou quem vai ficar ou quem vai partir, como
disse Raul Seixa, apesar de sermos um País bonito, por natureza,
estaríamos chorando, pois, no colme calmo do meu olho que vê a sombra
sonora de um disco voador, veríamos a sombra dos espinhais de uma árvore
venenosa construída pela política brasileira ou pela cultura brasileira
ou pelo povo brasileiro, como os leões africanos que matam seus
próprios filhos para poderem se alimentar.
Como num reflexo de
último lampejo, vê-se o sinal das trombetas dos anjos e dos guardiões a
rondar nosso acampamento cibernético que nos rincões brasileiros a força
dos asteroides revigore a essência de um povo perdido.
Sérgio Lúcio de Freitas Rezende Economista Uberlândia (MG) E-mail: udisergil@hotmail.com